28.2.09
De volta para o Blog
Bem que o apóstolo Paulo alertou. Se alguém quiser servir a Deus, melhor sem mulher. No meu caso, até que ela não atrapalha a fé cristã. O que pegou mesmo foi a questão literária: por causa da fêmea, deixei este Blog por seis longos meses. Agora aproveito para retornar enquanto ela dorme profundamente. A garota está convalescendo devagar, vítima de uma forte gripe. Como está agonizando num colchão, sinto-me à vontade para teclar. E o tema desta crônica entrou literalmente pela porta.
Na verdade, entramos quase ao mesmo tempo na cozinha, só que eu sentei-me à mesa. Já a mosca metálica preferiu se ajustar na colher suja da pia. “Esse mosca é mais lenta do que a doméstica, vou matá-la facilmente.” Enrolo um pano de prato e… Erro o alvo… A partir de então, o inseto pira. Voa em direção do meu rosto com fúria e alveja-me por três vezes. “Quem vê pensa que tem ferrão”, ironizo. Em seguida, começa a voar em círculos sem parar um segundo sequer. Tento acompanhá-la com os olhos, mas é em vão. Permaneço de pé somente ouvindo o som irritante da minha inimiga.
Minutos mais tarde, ela pousa sobre o fogão. Está perto de mim. Com as patas traseiras, limpa as asas, é uma visão nojenta. Além disso, olha-me de frente. “Parece que está mostrando a língua para mim… mas isso seria um absurdo, um inseto não poderia ser tão inteligente a esse ponto”, pensei. “Mas se assim for, trata-se de um desafio… Acho que estou imaginando coisas…” Pego novamente o pano de prato e tento esmagá-la. A mosca pula fácil e começa a voar de novo.
De bandeja
A maluquice total começa agora. Em vez de a mosca pousar na sujeira da pia, onde há copos com leite e pratos com resto de comida, ela escolhe o topo do encosto da cadeira, que está a um braço de distancia de mim. “Está de bandeja, é muita sorte. Acho que conseguirei pegá-la.” Mas ela não está distraída como eu pensava. Tão logo começo a enrolar o pano de prato, em câmera lenta, a mosca engatilha o voo. “Não é possível, ela está de olho nos meus movimentos!” Quase quebro a cadeira, mas erro o alvo.
Mal sabia eu que seria convidado a duelar por mais cinco vezes naquela mesma cadeira. Isso mesmo. A mosca pousou na cadeira, seguidamente, por outras cinco vezes. Confesso que senti vergonha de ser tão humilhado. A maldita mosca vencia um ser humano. “Agora é uma questão de honra.” Na última vez, ela grudou no pé da cadeira. Bem devagar, saio da cozinha para pegar um veneno específico para baratas, ou seja, teria o efeito duma bomba atômica para a mosca metálica. Quando retorno, não a encontro mais. “Agora ela deve estar se gabando por aí, dizendo que Golias fugiu dela…”
criado por Julio Scarparo
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