16.3.08
Perseguição anual
Mais um aniversário se aproxima. E com ele, um sonho que se repete todos os anos, na semana da comemoração: uma criança corre atrás de mim para me matar. Ela veste camiseta de listras amarelas e pretas. Tem olhos arregalados e muita força nos braços e pernas. Mesmo assim, não dispensa o facão, que combina perfeitamente com os cabelos desleixados.
A criança me viu, tenho de correr… se conseguir, entrarei neste quarto e fecharei a… porta! Ela a chuta feito vaca louca. Há uma janela, se a barreira não agüentar, terei de pular… Vá embora seu demônio!
Esta droga de janela não quer abrir, abre porcaria! Abre! Abriu! Vou ter de pulaaaar!
A descida é tranqüila, mas a antecipação mental do impacto no solo lembra-me que sou finito.
Acordo perturbado e me pergunto:
- Por que eu, aos oito anos de idade, tento assassinar o homem de 42 que sou eu mesmo?
Mas tudo bem. Hoje irei me encontrar com uma bela e perfumada senhora. Ela é infeliz, mas isso não importa. O importante é que ela serve de alimento à minha carne e, em troca, sirvo de bengala a ela. Sempre quis ter uma otária assim.
Ele deita-se e adormece rapidamente.
A criança me viu, tenho de correr… se conseguir, entrarei neste quarto e fecharei a… porta! Ela a chuta feito vaca louca. Há uma janela, se a barreira não agüentar, terei de pular… Vá embora seu demônio!
Ela arromba a porta e finalmente, depois de 42 anos, consegue me agarrar, antes de eu pular a janela. Com a mão esquerda, aperta o meu pescoço. A outra levantada, ao lado da cabeça, causa um efeito assustador: o facão brilha como se fosse um terceiro olho a me sentenciar:
- Você não acabará com essa família inocente. O adultério você conseguiu, porém não conseguirá fazê-la dependente química!
- Mas ela é louca, é uma tola, vive chorando, está cheia de minhoca na cabeça, ela precisa de mim, precisa de uma bengala humana pra viver…
- Você não presta! Vive a tirar proveito da fraqueza dos enfermos. Morra, morra, morra, morra, desgraçado!
criado por Julio Scarparo
19:58 — Arquivado em: 
