8.9.07
Tanto quanto muito
[Este texto foi gentilmente escrito pelo jornalista Robson Luquêsi em comemoração aos mil acessos do Ficatempo. Aproveito a oportunidade para agradecer aos conhecidos e desconhecidos por sempre passarem por aqui. Obrigado mesmo! Grande abraço, Julio Scarparo.]
- Mil é quase nada! – garante seu Zezé Travessão, para espanto de toda a geral. Ao ver isto, sim, porque de tanto que é, mil se vê, dona Naná Pedalada levanta-se da poltrona, dá um corrupio e senta-se de frente para seu Zezé, devida e sensualmente abundada nas pernas do blasfemo.
- Não é nada, é? Então aqueles mil beijinhos, secos e molhados, que te prometi, vou dar no padeiro!
- Não, não, meu amor, foi só uma força de expressão.
Naná inclina-se para a frente, mostrando os seios fartos e firmes e quase sufocando as narinas craterais do quase ex-amado-amante-desesperado.
- Força é o que vai te faltar se continuar falando tanta bobagem, sabe como é: pensamento oblíquo causa impotência! Rá, rá, rá.
- Meu docinho, só quis dizer que mil não passa de um, mais um, mais um, até completar mil, sacou?
- Filosofia misturada com matemática barata. Só porque o Romário fez mil, igual ao Rei Pelé, você, agora, quer desmerecer o feito!
- De jeito nenhum. Só quis fazer uma associação metafísica do volume quantitativo absoluto ao significado interior que pode repercutir no ser de uma pessoa.
- Chiiiii, tá lendo muito os segundos cadernos dos jornais de domingo, tadinho.
- Vamos esquecer os gols. A questão é como mensurar mil: é muito, é pouco, tá mais ou menos.
- Mas mil o quê, clone mal acabado de Friedrich Nietzsche!
- Mil qualquer coisa.
- É bastante.
- Mas será o suficiente?
- Deve dar e sobrar.
- Mas… e se chover?
- Mil guarda-chuvas se abrirão.
- E se o sol vier?
- Que se comprem mil protetores solares?
- A mil dinheiros cada um?
- Onde há mil não se compra e não se vende.
- Se rouba, então?
- Se dá. Mil pra cá, mil pra lá. E tudo bem.
- Sempre assim?
- Sim.
- Até quando?
- Até que o beijo cure, como diz o Moska.
- Mas quantos dias, horas.
- Até que o tempo fique.
- Fique?
- É.
- Então…o tempo fica.
- É.
- Ficatempo.
- Tic.
- Tac.
- T.
- I.
- C.
- T.
- A
- C.
Essa história me foi contada pelo Saci-bola que, juro, existe. E foi narrada com a maior verdade de cara mentirosa do mundo, ré, ré, ré…
Robson Luquêsi
criado por Julio Scarparo
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